Nasdaq descola dos índices de Wall Street e registra nova alta histórica

Desempenho da bolsa eletrônica segue forte apesar do avanço da pandemia nos Estados Unidos.

Wall Street Lucas Jackson/Reuters O avanço da pandemia nos Estados Unidos limita a demanda por ações em Nova York, mas não impede que os investidores sigam apostando nas grandes companhias de tecnologia e do varejo do país.

Com isso, o Nasdaq anotou mais uma máxima histórica de fechamento, ampliando a diferença de desempenho recente para o S&P 500 e o Dow Jones, que voltaram a fechar em queda. O Dow Jones fechou o dia em queda de 1,39%, aos 25.706,09 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,56%, aos 3.152,05 pontos.

O índice eletrônico Nasdaq avançou 0,53%, a 10.547,75 pontos, registrando mais um recorde de fechamento.

Bovespa volta a bater 100 mil pontos, mas perde fôlego e fecha em queda Dólar fecha em queda com investidores monitorando a pandemia No acumulado dos últimos 30 dias, o Nasdaq registra ganhos de 5,97%, enquanto o Dow Jones recua 5,74%.

Em 2020, a diferença é expressiva: o índice de tecnologia avança 17,56% e o de blue chips recua 9,92%. Os Estados Unidos registraram ontem um recorde de 62 mil novos casos confirmados de Covid-19, em meio aos contínuos relatos de que hospitais de Estados do Sul e Oeste seguem enfrentando uma demanda crescente por leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs).

O país possui mais de 3 milhões de casos do novo coronavírus, que já vitimou mais de 130 mil pessoas, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

De acordo com um rastreador do New York Times, um total de 38 Estados e regiões registraram um aumento dos casos nos últimos 14 dias. "Acho que o ressurgimento nos casos positivos de covid-19 certamente preocupa os mercados", disse Feifei Li, chefe de ações da Research Affiliates à Dow Jones Newswires.

"Os investidores estão preocupados com uma possível segunda rodada de lockdowns." Estados Unidos continuam batendo recorde no número de casos de coronavírus A chefe de estratégia de ações do Bank of America, Savita Subramanian, afirma que sua meta de fim de ano para o S&P 500 é de 2.900 pontos, um declínio de 8% em relação aos níveis atuais. "Eu não me considero 'bear', mas a relação entre risco e retorno daqui até o fim do ano é completamente negativa", disse Subramanian.

"Tivemos um frenesi para a reabertura e agora estamos vendo um retrocesso", afirmou. Em resposta à pergunta frequente sobre os motivos de os mercados parecerem tão desconectados da economia real, a estrategista disse que não acreditar que o mercado de ações esteja precificando que "tudo está ótimo". Segundo ela, os investidores continuam buscando ações que se beneficiarão dos lockdowns induzidos pela pandemia, como as líderes de tecnologia e varejistas online.

"O mercado não está precificando que tudo está indo bem na economia", afirmou Subramanian. Bolsas da Europa recuam com aumento de casos de coronavírus nos EUA De acordo com o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, o país registrou 1,314 milhão de novos pedidos de seguro-desemprego na semana passada, abaixo da expectativa de consenso, de 1,388 milhão.

Apesar da leve melhora no indicador semanal, analistas chamam a atenção para o total de pedidos contínuos de seguro-desemprego, que traçam um cenário mais negativo para o estágio atual do mercado de trabalho. "O número total de pessoas que reivindicam benefícios em todos os programas subiu para 32,9 milhões - uma alta de 1,4 milhão na semana.

Isso ocorre porque uma gama mais ampla de pessoas se qualifica para receber benefícios no âmbito do programa Pandemic Unemployment Assistance (PUA), que contava com 14,4 milhões de requerentes na semana 20 de junho", afirma o chefe de economia internacional do ING, James Knightley. "Isso serve apenas para ilustrar o estresse extremo em curso no mercado de trabalho e sugere que o desemprego está mais próximo de 20% do que os 11,1% atualmente listados como a taxa oficial do Departamento do Trabalho'", conclui. Bolsas asiáticas fecham em alta e ações chinesas estendem rali Em meio às desconfianças do mercado, os rendimentos dos Treasuries fecharam em forte queda hoje, refletindo a forte demanda por proteção, que pôde ser observada no leilão de US$ 19 bilhões em títulos de 30 anos do Tesouro americano. O juro da T-note de 10 anos encerrou o dia negociado a 0,62%, menor nível desde o fim de abril, de 0,67% do fechamento anterior, enquanto o rendimento da T-bond de 30 anos caiu a 1,32%, de 1,39% da véspera. A aversão ao risco também deu força ao dólar, que voltou a apresentar ganhos ante moedas de países desenvolvidos.

Perto do horário de fechamento em Nova York, o DXY subia 0,40%, a 96,789 pontos.

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