Programação debate o feminismo como forma de resistência de povos da Amazônia e da América Latina

Julieta Carvajal, indígena boliviana e um dos maiores nomes do feminismo contemporâneo, recebe indígenas de etnias brasileiras em debate nesta quinta, 2.

Julieta Paredes Carvajal, um dos mais importantes nomes contemporâneos do feminismo na América Latina.

Divulgação Pensar o feminismo como ferramenta de resistência e revolução para povos da Amazônia está no centro da militância de Julieta Paredes Carvajal, um dos mais importantes nomes contemporâneos do feminismo na América Latina.

Nesta quinta-feira (2), a escritora indígena boliviana participa de debate de lançamento de seu mais recente livro, em live promovida pelo Conselho Regional de Psicologia do Pará e Amapá (CRP-10), às 19h. Indígena, lésbica e ativista, Carvajal foi uma das fundadoras do movimento “feminismo comunitário”, que nasce em 2008, na Bolívia.

Tem a sua origem nas lutas de resistência contra o sistema capitalista, patriarcal e colonial, liderado por mulheres indígenas frente às práticas sistemáticas de violação de seus direitos, dos de suas comunidades e povos, assim como dos direitos da natureza e a exploração dos recursos naturais.

Trata-se de um movimento com forte cunho político, e que envolva a participação de mulheres, homens e pessoas intersexo na construção ativa de uma realidade mais igualitária e socialmente justa a partir da perspectiva dos povos da América do Sul, continente que do feminismo comunitário tem o nome de Abya Yala – expressão indígena que denomina o continente, sendo o “verdadeiro nome” da região antes da colonização. Julieta lançou este ano o livro “Para descolonizar o feminismo”, que destaca a luta das mulheres indígenas desde 1492, com o processo de invasão e colonização dos territórios latino-americanos, enquanto que o feminismo europeu surge a partir de 1789, com a Revolução Industrial.

“O feminismo comunitário é a luta de qualquer mulher, em qualquer parte do mundo, em qualquer tempo da história, que luta e se rebela contra um patriarcado que a oprime ou pretende oprimir”, define. O feminismo comunitário parte do princípio de não enfrentar e nem construir a partir dos direitos individuais, mas, sim, coletivos; a partir dessa comunidade que é lugar de identidade comum, de memória ancestral, e antiburguesa. “Em geral, o feminismo não interessou os setores populares ou empobrecidos, menos ainda os setores campesinos, e em nada os indígenas.

Movimentou-se historicamente no elitismo, na intelectualidade, nas universidades.

Não se pode dizer que tenha se centrado na classe operária.

Esse salto qualitativo está sendo dado pelo feminismo comunitário, porque ganha sentido exatamente nas comunidades indígenas, camponesas, bairros populares”, destaca Paredes.

O debate na live reúne ativistas de etnias do Brasil: Tamikuã Rocha, liderança indígena da comunidade Tekoa Itakupe, terra indígena Jaraguá (SP), e integrante do Feminismo Comunitário de Abya Yala Tecido Pindorama; Braulina Baniwa, indígena e pesquisadora do povo Baniwa, bacharela e mestranda em Antropologia Social na UNB.

Membro da Articuladora Nacional de Indígenas Antropólogos no Brasil; Miriam Tembé, do povo Tenetehar-Tembé, psicóloga membro da Comissão de Povos Indígenas, CRP 10, e membra da APYEUFPA e diretora da LASIPA, doutoranda do PPGP (UFPA). "Precisamos discutir o protagonismo das mulheres indígenas.

É preciso acompanhar a diversidade da Amazônia.

Aqui na região, temos a maioria das etnias indígenas do país aqui.

São mais de 150 etnias aqui", destaca Eunice Guedes, integrante da Comissão de Psicologia e Gênero do CRP 10, e mediadora da live.

Categoria:Pará