Morre bispo emérito Miguel Hesayne, que enfrentou ditadura argentina

Bispo emérito da diocese de Viedma denunciou sequestros e perseguições por parte do regime que deixou 30 mil desaparecidos, segundo organizações humanitárias.

O bispo emérito Miguel Hesayne, um dos poucos homens da hierarquia da Igreja Católica argentina que combateu a ditadura (1976-1983), morreu aos 96 anos.

Ele será enterrado nesta segunda-feira (2) na Catedral da cidade de Azul, segundo a France Presse. A Conferência Episcopal Argentina (CEA) informou que o bispo emérito da diocese de Viedma morreu no domingo (1º). Hesayne foi nomeado bispo de Viedma (800 km ao sudoeste de Buenos Aires) em 1975.

Depois do golpe de Estado de março de 1976, ele denunciou sequestros e perseguições por parte do regime que deixou 30 mil desaparecidos, segundo organizações humanitárias. "Faleceu Miguel Hesayne.

Ele atuou junto a Jorge Novak, Jaime de Nevares e alguns poucos bispos, que não aceitaram ser cúmplices da ditadura genocida de 1976 - como grande parte do episcopado de então - e se colocaram ao lado das vítimas, exigindo memória, verdade e justiça", tuitou o Grupo de Padres Opção Pelos Pobres. Amigo do Papa Francisco Miguel Hesayne era amigo do Papa Francisco, que é argentino e foi arcebispo de Buenos Aires.

Logo após ser anunciado pontífice, Francisco chegou a ligar duas vezes para ele.

"A primeira não me encontrou e deixou mensagem dizendo que ligaria depois.

Ele falou como sempre, como um amigo que fala com outro amigo, e até brincou", contou o bispo emérito em março de 2013.

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